Um relatório lançado pela Unesco em 2022 (“Reimaginar nossos futuros juntos: um novo contrato social para a educação”) defende, por exemplo, uma nova abordagem, lembrando que crianças e jovens já exercem significativo protagonismo no movimento climático internacional e que o modelo antigo, baseado na transmissão de conhecimento, é insuficiente para qualificar ainda mais essa cidadania ativa. “A pesquisa sobre a eficácia da educação em mudança climática constata que grande parte dela se concentra exclusivamente na educação científica, sem cultivar toda a amplitude de competências necessárias para envolver os estudantes em ações efetivas”, diz um trecho do documento.
Outro organismo internacional a jogar luz sobre a necessidade de uma nova abordagem para a educação ambiental é a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que divulgou, em novembro de 2023, também um relatório destacando que as mudanças climáticas, em conjunto com as transformações digitais, constituem os dois desafios mais urgentes do século 21.
“Uma chave para construir resiliência face aos desafios ambientais e às transformações tecnológicas é capacitar os indivíduos através de investimentos em competências. Contudo, as competências, por si só, não garantem uma ação significativa. As atitudes e disposições, que são em grande parte moldadas através da educação e da formação, desempenham um papel crucial na motivação dos indivíduos para utilizarem as suas competências para a melhoria da sociedade”, destaca o relatório, advertindo também que jovens socioeconomicamente desfavorecidos se encontram em situação de maior vulnerabilidade nessa transição ambiental e digital, devendo ter, por isso, atenção prioritária na formulação de políticas públicas.