Segundo levantamento realizado pelo Todos Pela Educação a partir de dados do questionário socioeconômico respondido por diretores de escolas no último Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), apenas metade das escolas públicas desenvolvem projetos sobre relações étnico-raciais.
E o papel da gestão escolar é também fundamental para que a agenda da educação para as relações étnico raciais avance de forma contínua, e não apenas a partir de projetos pontuais. Foi justamente essa preocupação que levou a equipe da Escola de Ensino Médio Maria Conceição de Araújo, em Acaraú (CE), a propor uma caravana pedagógica que mudou a forma como as demais escolas da região encaram o racismo e o preconceito.
O projeto envolveu as 11 escolas da região em um processo extenso e complexo de letramento racial. Hoje a inciativa tem apoio da Secretaria de Educação do Ceará. Primeiro, os estudantes recebem sugestões de professores sobre os temas a serem tratados, depois recebem uma formação sobre equidade racial e, em seguida, desenvolvem seus projetos, que podem variar de trabalhos acadêmicos até apresentações de teatros de sombras. Após serem desenvolvidos, os trabalhos são compartilhados com todas as escolas envolvidas no projeto.
“Desenvolvemos a ideia por estarmos preocupados com a temática racial ser tratada apenas no dia 20 de novembro”, explica o professor Cristiano Marques. O relato completo da experiência pode ser conferido aqui.
Mesmo experiências exitosas como essa não tornam nenhuma comunidade imune ao racismo e é preciso que a gestão seja firme na sua postura em não tolerar nenhum tipo de preconceito e buscar suporte de outros profissionais se for necessário. Paulo Fhillipe de Oliveira Alencar, diretor da Escola de Ensino Médio Maria da Conceição Araújo, conta que em 2022, houve um caso de injúria racial na escola envolvendo alunos do 2° ano do Ensino Médio. A escola então contatou órgãos de assistência estatais e parceiros externos, Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), que ajudaram a realizar um ajuste de conduta entre o aluno ofensor e a vítima.
“Essa ação mostrou a importância de buscar apoio externo para lidar com situações de desigualdade e preconceito”, relata o diretor.
SAIBA MAIS
- Anuário Brasileiro da Educação Básica 2021, Editora Moderna/ Todos Pela Educação
- Coleção Antirracista, Observatório de Educação, Ensino Médio e Gestão/Instituto Unibanco (2022)
- Coleção Educação e Relações Sociais, Ação Educativa (2014)
- Desigualdades Étnico-Raciais nas Matrículas e na Conclusão do Ensino Médio (nota técnica), Todos Pela Educação (mai/2023)
- E-book Indicadores da Qualidade na Educação – Relações Raciais na Escola, Ação Educativa (2023)
- Percepções sobre o Racismo no Brasil, Peregum – Instituto de Referência Negra/Projeto SETA/Ipec (jul/2023)
- Podcast Educação e Relações Étnico-Raciais, Fundação Santillana
- Plataforma Percursos Alternativos, Coletivo de Intelectuais Negros e Negras (CDINN), (2023)