Análise de imprensa - Fevereiro de 2018

Mensalmente, você encontrará aqui uma curadoria de notícias e artigos relevantes que saíram nos principais veículos de comunicação do país, tendo assim um panorama do que foi destaque na mídia. O objetivo é chamar a atenção para temas e pautas relevantes para os debates nas áreas de educação, ensino médio e gestão escolar.

Em fevereiro, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), os desafios do sistema educacional brasileiro e o panorama dos estudantes imigrantes no país foram alguns dos temas de destaque na imprensa nacional.

A reportagem “Quem precisa de educação”,  capa de fevereiro da revista Trip, apresentou falas de artistas, educadores, esportistas, cientistas sociais e psicanalistas sobre a falta de empatia da elite em relação aos problemas da educação brasileira e a desigualdade social. Em entrevista para a revista, a cientista social Neca Setúbal afirmou que “é preciso que as escolas que tenham alunos mais vulneráveis, mais pobres, tenham os melhores professores, os melhores materiais. Inverter: dar mais para quem tem menos”.

Na revista Nova Escola o destaque foi para reportagens sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O tema foi dividido em quatro tópicos: sala de aula, políticas públicas, gestão escolar e formação de professores. Uma das questões abordadas foi que gestores e coordenadores pedagógicos precisam garantir que os professores estejam preparados para trabalhar com o documento, “pois são eles os principais aliados para levar as propostas da base à sala de aula”. Além disso, disponibilizou um Guia da Base que apresenta explicações sobre a estrutura, a construção, as mudanças e o que precisará ser feito para que a BNCC realmente seja implantada.

A BNCC também foi destaque no Estadão. O jornal publicou, no dia 27, matéria intitulada “Base do ensino médio terá apenas duas disciplinas”, ressaltando que o documento do MEC apresentou detalhamento apenas para Língua Portuguesa e Matemática. As outras matérias serão interdisciplinares. Esta estrutura foi apresentada pelo Ministério da Educação (MEC) a secretários estaduais de educação no dia anterior. O documento ainda será finalizado e enviado ao Conselho Nacional de Educação (CNE). Passará por cinco audiências públicas e poderá receber sugestões. “É preciso tomar cuidado para não induzir que só Português e Matemática são importantes e o restante não ser dado com qualidade”, ressaltou Cesar Callegari, presidente da comissão que discute a Base no CNE.

No início do mês, o Diário do Nordeste, jornal do Ceará, publicou o editorial “Mitigar a Evasão Escolar”, no qual destacou dados do Censo Escolar 2017. “Enquanto a grande quantidade de jovens fora da escola seguir de forma ascendente a cada ano, persistirá a conjuntura de miséria em vários estratos sociais, bem como a discrepância na oferta de oportunidades permanecerá presente em futuras etapas das vidas destas pessoas”, diz um dos trechos do texto.

Priscila Cruz e Rodolfo Araújo publicaram na revista Época Negócios um artigo intitulado “A educação de 2038 começa já”, que destaca a desigualdade no sistema educacional. “De cada cem crianças que ingressam na escola, só 65 concluem o Ensino Médio. Apenas 18 aprendem português adequadamente, apenas cinco assimilam matemática como deveriam e sete seguem rumo à faculdade”.

Em entrevista para o jornal Folha de S. Paulo, o professor alemão Andreas Schleicher, diretor do departamento educacional da OCDE e um dos idealizadores do Pisa, afirma que países que tiveram sucesso nas políticas educacionais deram prioridade para a área nos gastos públicos. “O gasto em educação no Brasil ainda é baixo (...) Ainda que, como parcela do PIB per capita, o gasto brasileiro por estudante seja maior que a média da OCDE, esse ainda não é o nível ideal”.

Sobre o Pisa, Antônio Gois escreveu no jornal O Globo: “No Brasil, só 2% dos alunos mais pobres têm bom desempenho acadêmico”.

No último domingo de fevereiro (25), Ancelmo Góis disse, na coluna que escreve para O Globo, que gastos em segurança pública, realizados entre 2013 e 2016, foram menos eficazes para reduzir a violência do que investimentos em educação. Segundo o IDados, diz o jornalista, cada 1% a mais nas despesas com educação impactou em queda de 0,25% na violência. Já cada 1% de acréscimo de verba de segurança teve efeito insignificante do ponto de vista estatístico.

Levantamento feito pelo Instituto Unibanco com base nos dados do Censo Escolar 2016 mostra que o número de matrículas de alunos imigrantes em escolas brasileiras mais do que dobrou no período de oito anos. A pesquisa foi realizada para a edição 38 do Boletim Aprendizagem em Foco e repercutiu na imprensa nacional. Foram cerca de 81 publicações sobre o tema em veículos como Agência Brasil, UOL, El País e Nova Escola, entre outros.

Além das matérias destacadas acima, outros temas relevantes foram abordados: a influência do Bolsa Família na redução de desigualdades na educação, como a tecnologia pode contribuir para a educação inclusiva, uma cartilha que orienta gestores no acolhimento a estudantes imigrantes e como a arquitetura escolar pode influenciar no aprendizado dos alunos. Confira.

Bolsa Família e a educação

Um estudo analisa como o programa Bolsa Família atua para reduzir desigualdades na educação de crianças e adolescentes por meio da identificação dos principais problemas de estudantes beneficiários.

Quais são os investimentos em educação feitos pelo programa Bolsa Família, matéria publicada no Nexo Jornal.

Novas tecnologias e a inclusão escolar

O Censo Escolar do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), realizado em 2015, constata que o número de alunos deficientes no ensino regular aumentou 6,5 vezes em 10 anos: de 114.834, em 2005, para 750.983 em 2015. Novas tecnologias estão sendo aplicadas em sala de aula para proporcionar uma experiência diferente de aprendizado a uma geração que já nasce digital.

O que as novas tecnologias podem fazer pela educação inclusiva, artigo publicado no Porvir.

Acolhimento a estudantes imigrantes

Uma cartilha para gestores tira dúvidas sobre matrículas, quais documentos são válidos e como acolher alunos imigrantes. O material foi produzido pela Coordenadoria de Gestão da Educação Básica (CGEB), Departamento de Planejamento e Gestão da Rede Escolar e Matrícula (DGREM) e pelo Conselho Estadual de Educação (CEE).

Cartilha orienta gestores no acolhimento a alunos imigrantes, matéria publicada na Nova Escola.

Arquitetura escolar

Doris Kowaltowski, professora da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp, fala sobe a influência do espaço físico da escola para beneficiar o processo de aprendizagem. Segundo a professora, “se um prédio é confuso, mal cuidado, com muitas grades, o aluno vai se sentir inseguro”.

A arquitetura escolar e seu papel no aprendizado, entrevista publicada no O Estado de S. Paulo.