Análise de Imprensa - Fevereiro 2019

Educação domiciliar, militarização das escolas e a carta do ministro para as escolas com pedido para que os alunos cantassem o hino nacional foram os destaques em fevereiro.

 

“Faxina ideológica” foi o título escolhido pela revista Veja (conteúdo exclusivo para assinantes) para a entrevista do ministro Ricardo Vélez Rodríguez, publicada nas páginas amarelas no primeiro dia de fevereiro. Ele sinalizou que pretende mexer no que chamou de “interpretação” da BNCC e, com relação a reforma do Ensino Médio, afirmou que será necessário “complementar” e que “se formos mexer, mexeremos democraticamente” no “parlamento”. A entrevista repercutiu em diversos veículos, como no G1.

 

Educação Domiciliar

O projeto da educação domiciliar, como anunciado pela Ministra Damares Alves, repercutiu intensamente nos jornais ao longo do mês. Três dos maiores veículos nacionais, A Folha de S. Paulo, o Estado de S. Paulo e o O Globo noticiaram as questões relacionadas à temática com diferentes abordagens:

 A Folha de S.Paulo informou que o projeto do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos se opõe ao plano do MEC e trouxe, em outra matéria, um bate bola com as perguntas mais comuns sobre a prática da educação domiciliar; e no final do mês, um artigo de opinião, com um olhar do professor sobre o processo educacional.

O Estado de S. Paulo chamou a atenção de que não há consenso das pesquisas internacionais sobre eficácia do home schooling e em outra matéria informou que a ideia do MEC é submeter os alunos deste tipo de modalidade a testes anuais.

O Globo abordou a proposta que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos estuda a cobrança de uma taxa para viabilizar a fiscalização do ensino em casa.

Outros veículos especializados também abordaram o tema com o viés de ampliar o olhar para a medida provisória, como a Carta Educação.

 

Militarização das escolas

No início do mês de fevereiro, o tema da militarização das escolas começou a ser debatido amplamente na imprensa. A Agência Brasil e a revista Isto É trouxeram os planos de ampliação as escolas cívico-militares por meio da implantação de uma nova Subsecretaria de Fomento às Escolas Cívico-Militares.

O Estado de S.Paulo  abordou a questão da militarização das escolas públicas no Distrito Federal. A proposta divide opiniões. O jornal informa que 120 escolas no país têm este tipo de gestão e o governo do DF pretende militarizar 40 escolas até o fim do ano. Em manchete, Correio Braziliense publicou página inteira sobre o assunto. E o programa Fantástico da TV Globo também noticiou o tema.

A Folha de S.Paulo trouxe informações sobre o cruzamento de dados do Enem 2017, por escola, com a conclusão que as escolas militares têm desempenho similar ao de unidades com perfil parecido.

A revista Carta Capital trouxe uma reflexão sob o viés do conservadorismo moral da iniciativa.

 

Professores

A docência e todos seus aspectos, incluindo a formação de professores foi um tema abordado de diferentes formas na imprensa ao longo de fevereiro.

O Globo (conteúdo exclusivo para assinantes) trouxe matéria com o enfoque de quatro projetos de lei que vão abordar a prática de professores em sala de aula.

A Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e o portal UOL informaram que o Ministério da Educação decidiu interromper as discussões do Conselho Nacional de Educação sobre projeto que pretende reformular a formação de professores.

Formação docente foi tema também de uma reportagem exclusiva da Folha de S.Paulo sobre lançamento de cátedra da USP patrocinada pelo Itaú Social. A cátedra, tem como objetivo identificar medidas que possam orientar as políticas para a educação básica brasileira a partir de ações e da formulação de projetos, com a participação dos educadores, pesquisadores e profissionais das escolas públicas.

No O Globo, o jornalista Antônio Gois abordou uma pesquisa realizada pelo Instituto Península em que se pretende um mergulho na alma docente.

 

Hino Nacional

O Estadão,  divulgou a notícia que o MEC havia enviado comunicação as escolas do país com o pedido para a filmagem dos alunos cantando hino nacional. A notícia já repercutiu nos veículos digitais no mesmo dia e estava com destaque nas primeiras páginas de todos os jornais no dia seguinte (26/02). O Ministro Ricardo Vélez foi mudando o pedido inicial, e seguiu em destaque no O Globo e no O Estado de S.Paulo.

E no dia 28/02, o Ministro recuou de toda a proposta, segundo o portal UOL.

O Valor (conteúdo exclusivo para assinantes) trouxe as críticas dos secretários e ação do Ministério Público Federal para avaliar a possibilidade de improbidade administrativa da ação.

 

Além dos destaques acima, outros temas relevantes foram pauta da imprensa nacional, confira.

A Folha Online fez um resumo das pautas de educação que devem tramitar no Congresso ainda neste ano.

Foram publicados alguns artigos de opinião, fazendo críticas ao governo e esses primeiros dias do novo Ministro da Educação, como esse da  Folha de S. Paulo, escrito pela Maria Alice Setubal e Anna Helena Altenfelder.

O jornal Valor Econômico também trouxe um artigo, abordando os riscos de algumas medidas tomadas pelo novo governo. E a revista Carta Educação também aborda alguns pontos sensíveis dos primeiros dias de governo na área da educação.

Em entrevista que concedeu a Folha de S.Paulo o Ministro Marcos Pontes, da Ciência e Tecnologia, disse que quer incentivar a participação de mulheres na ciência.

Estadão deu espaço para dois ex-secretários de educação: Paulo Hartung, ex-governador do Espírito Santo. E, Alexandre Schneider, ex-secretário municipal de Educação de São Paulo trazerem para o debate, dentro dos contextos das suas atuações, a importância da gestão na educação pública.