Além disso, também está sendo incentivada a criação de grupos cooperativos de estudantes dentro das escolas. Por meio da metodologia da aprendizagem cooperativa, eles vão criar células administradas por eles mesmos para promover o engajamento dos alunos que podem desenvolver uma série de ações, entre elas, a escuta ativa dos demais estudantes das questões socioemocionais.
“Estamos investindo fortemente nessa proposta porque é o estudante com o estudante fazendo esse elo, e esse elo é muito mais forte”, afirma a Orientadora da Célula de Projetos Educacionais, Articulação e Mobilização Estudantil da Seduc-CE, Iraciara Ribeiro. “Eles [os estudantes] conseguem ‘chegar’ de uma forma que muitas vezes os professores, o diretor muitas vezes não conseguem, por questões de proximidade, de linguagem e até mesmo de identificação. O processo também fica mais democrático e participativo e tem um alcance maior com os próprios estudantes participando”, pensa Rogério Bié, técnico da Coordenadoria de Protagonismo Estudantil.
No Piauí, as escolas também estão retomando em esquema híbrido agora no segundo semestre e buscaram diferentes formas de acolher os estudantes depois de tanto tempo afastados das salas de aula.
No Centro Estadual de Tempo Integral (CETI) Solange Sinimbu Viana Area Leão, em Teresina (PI), o projeto de acolhimento, batizado de “Começar de novo”, surgiu como um desdobramento de uma ação macro da escola, focada na saúde mental de estudantes e da equipe. “Todos os professores passaram por uma oficina para poderem trabalhar em sala de aula com o aluno. Toda a comunidade escolar foi atendida neste primeiro momento em que o aluno, assim como o professor e o funcionário, fizeram uma reflexão sobre como eles estão vendo esse momento de pandemia”, explicou a gestora, Ariadna Gonçalves Cavalcante. O projeto foi dividido em três momentos: “Como eu vejo”, quando discorreram sobre a realidade atual, as consequências dela sobre suas vidas, “Enquanto a tempestade não passa”, quando compartilharam sugestões para amenizar as inquietações decorrentes da pandemia e, por fim, “Esperando na janela”, quando falaram sobre suas perspectivas futuras.
A atenção ao aspecto socioemocional na escola já era uma demanda anterior à crise de Covid-19. Porém, com a pandemia, a necessidade de pensar no acolhimento dos estudantes e profissionais da educação ficou ainda mais evidente, dadas as implicações desse período sob o bem-estar de cada um e, consequentemente, sob o processo de ensino-aprendizagem. É uma política, portanto, que precisa estar incluída permanentemente na rotina pedagógica da escola, como mais um de seus componentes curriculares.