RESPEITO À DIVERSIDADE SEXUAL É PAPEL DA ESCOLA
O direito à educação é garantido a todos os indivíduos, sem distinção, em consonância com a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Boletim 90 - junho de 2023
*A sigla LGBTI+ refere-se a Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgênero e Intersexo; o “+” contempla outras orientações sexuais, identidades e expressões de gênero. Também são usadas as siglas LGBTQIA+, incluindo Queers e Assexuais e LGBTQIAP+, que abrange ainda os Pansexuais
De acordo com a Pesquisa Nacional sobre o Ambiente Educacional no Brasil (2016), realizada pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), 73% dos adolescentes e jovens foram agredidos(as) verbalmente na escola por causa de sua orientação sexual. Dados de uma pesquisa realizada pelo Comitê Paulista pela Prevenção de Homicídios na Adolescência com jovens entre 12 e 19 anos durante o início de 2021 mostram que 37% dos estudantes que se identificam como LGBTQIA+ reportam já ter sofrido violência sexual.
Diante dessa situação, não é de estranhar que 7 em cada 10 estudantes desses grupos não se sintam seguros(as) para declarar sua orientação sexual ou identidade de gênero no Ensino Médio, como revela a Pesquisa Nacional por Amostra da População LGBTI+ (2020), realizada pela organização Todxs. O relatório aponta ainda que o percentual de adolescentes e jovens LGBTI+ que sofrem bullying escolar (agressões físicas, verbais ou isolamento e exclusão social) é maior que a população geral de estudantes. Esse cenário prejudica a aprendizagem desses alunos e contribui para sua evasão da escola.
No caso das pessoas trans, a situação é ainda mais crítica. Segundo um levantamento feito pela Rede Nacional de Pessoas Trans do Brasil em 2017, 82% dos(as) adolescentes e jovens trans deixam o Ensino Médio entre 14 e 18 anos. E isso tem reflexo no Ensino Superior, onde as pessoas trans são menos de 0,3% dos estudantes nas universidades federais brasileiras, segundo uma análise dos dados da V Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico e Cultural dos Estudantes de Graduação das Instituições Federais de Ensino Superior Brasileiras, realizada em 2018 pelo Grupo de Estudos Multidisciplinar da Ação Afirmativa (GEMAA), núcleo de pesquisa do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP/Uerj).
“Dá sim para pautar questões de gênero dentro da Matemática, problemáticas sociais como violência contra mulheres, pessoas trans, racismo… tudo isso eu trago para dentro da Matemática e tento contextualizar para que os alunos possam compreender e pensar nessas problemáticas sociais enquanto atores que podem modificar essa realidade”.
Na EEEFM Marinete de Souza Lira, situada em Serra (ES), uma iniciativa que tinha como objetivo inicial estimular o interesse pela leitura acabou também oportunizando a criação de um espaço de debates, o que fez, por exemplo, com que temas como o machismo e a homofobia fossem identificados pela gestão da escola. Por meio do projeto Roda de Leitura, estudantes se reúnem na biblioteca uma vez por semana durante o recreio para conversar sobre temas pré-definidos. “[Obtivemos resultados] Em relação à diversidade e ao respeito. Tivemos mais de uma situação de meninos e meninas que se assumiram homossexuais, o e que gerou muito debate na escola. Eles se assumiram e se sentiram melhores porque passaram a não ligar para o que os outros pensavam e não tinham mais que esconder aquilo que eles eram”, destaca a gestora Graziely Ameixa, gestora da detalha experiência de sua escola para incentivo à leitura durante o recreio.
Clique aqui para assistir ao depoimento completo de Graziely no Banco de Soluções do Instituto Unibanco
SAIBA MAIS
- Catálogo de materiais didáticos e paradidáticos sobre diversidade sexual e de gênero, SECADI/MEC (2013)
- Conversas que Inspiram (websérie), It Gets Better Brasil/Grupo Dignidade (2022)
- Coleção Educação LGBTI+, Observatório de Educação/Instituto Unibanco (2023)
- Educar para a Diversidade: Um Guia para Professores sobre Orientação Sexual e Identidade de Género, Rede Ex Aequo (2005)
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Guia para Educadores(As): Educando para a Diversidade, Centro Paranaense de Cidadania – CEPAC
- Guia para Profissionais de Educação sobre Diversidade de Expressões de Género na Infância, Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual (AMPLOS)
- Manual de educação LGBTI+, Toni Reis e Simón Cazal (org.), Instituto Brasileiro de Diversidade Sexual (2021)
Aprendizagem em Foco é uma publicação quinzenal produzida pelo Instituto Unibanco.
Tem como objetivo adensar as discussões sobre o contexto educacional brasileiro, a partir de pesquisas, estudos e experiências nacionais e internacionais.
PRODUÇÃO EDITORIAL
Redação: Carmen Nascimento
Edição: Antônio Gois e Fabiana Hiromi
Projeto gráfico e diagramação: Estúdio Kanno
Edição de arte: Fernanda Aoki
