QUAL USO DEVE SER FEITO DAS AVALIAÇÕES?
Desde a criação, na década de 90, do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), o Brasil ampliou significativamente o número de exames e de estudantes avaliados por esses instrumentos.
Edição 64 - Julho de 2021
Maria Helena destacou que o Saeb deve ser alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e às diretrizes de formação de professores.
“A discussão do novo Saeb está diretamente relacionada à nova BNCC. O que a gente precisa fazer, quais competências nós vamos avaliar? Como nós vamos avaliar? Quais são aspectos do Saeb atual que precisam ser aperfeiçoados? O que mostram as avaliações internacionais sobre avaliação das aprendizagens?”, observou.
Apesar de reconhecer a importância do exame, os especialistas também apontaram pontos a serem aprimorados, como a necessidade de mais celeridade na disponibilização dos resultados do Saeb, para que as redes de ensino possam fazer uso dos dados já no começo do ano seguinte.
“Esse negócio de levar oito meses para distribuir relatórios não causa o impacto que a gente poderia. Mesmo o Saeb aplicando em novembro, nós podemos pensar em dar resultados já no início de março ou no final de fevereiro. É possível fazer isso."
A coordenadora do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (CAEd) da Universidade Federal de Juiz de Fora, Lina Kátia de Oliveira, defendeu o aperfeiçoamento das avaliações externas de larga escala, como o Saeb. Ela sugeriu, por exemplo, que os alunos do 7º ano do ensino fundamental também passem a ser avaliados − atualmente, o teste é dirigido a estudantes do 2º, 5º e 9º anos do ensino fundamental e da última série do ensino médio.
"Acho importantíssima a inclusão do 7º ano, o problema todo que chega no ensino médio está justamente nessa etapa de escolaridade.”
A diretora-executiva do Instituto Reúna, Katia Stocco Smole, disse que a avaliação é um tema que precisa ser mais explorado nos cursos de formação inicial e continuada de professores. Segundo ela, boa parte dos professores sabe pouco sobre como fazer uso dos resultados das avaliações.
A professora Cíntia de Barros Maia, que leciona na mesma escola, lembra o caso de um estudante do 1º ano do Ensino Médio que tinha problemas de alfabetização e baixa capacidade de leitura.
"A desmotivação dele estava muito baseada na insegurança pela falta de compreensão na sua própria leitura."
"A felicidade é imensa de estar podendo ajudar a transferir o meu conhecimento de forma benéfica. Porque, dentro da sala de aula, a gente não só ensina, mas a gente aprende."
Aprendizagem em Foco é uma publicação quinzenal produzida pelo Instituto Unibanco.
Tem como objetivo adensar as discussões sobre o contexto educacional brasileiro, a partir de pesquisas, estudos e experiências nacionais e internacionais.
PRODUÇÃO EDITORIAL
Redação: Demétrio Weber
Edição: Fabiana Hiromi e Antônio Gois
Projeto gráfico e diagramação: Estúdio Kanno
Edição de arte: Fernanda Aoki