Relatório de 2023 da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico aborda a importância do desenvolvimento de habilidades frente à chamada transição verde e digital, destacando o papel da educação para a construção de tais habilidades. Ele mostra, por exemplo, que entre pessoas com educação universitária, 55% afirmam que a IA pode lhes ser útil; entre quem não tem, a proporção cai para 39%. “Indivíduos oriundos de meios socioeconômicos desfavorecidos têm menos probabilidades de adquirir proficiência numa série de competências durante a educação formal, de desenvolver atitudes e disposições que possam apoiar a dupla transição digital e verde e de reduzir a sua vulnerabilidade às mudanças ambientais e tecnológicas”, afirma o relatório.
O uso da tecnologia na educação foi também tema do GEM Report 2023 (Global Education Monitoring), da Unesco. Elaborado no contexto pós-pandemia, o estudo traz alguns alertas e também cita a persistente desigualdade no acesso, destacando que “o direito à educação, cada vez mais, é sinônimo de direito à conectividade adequada.” O relatório destaca ainda que o papel do professor é ainda mais necessário para ajudar as sociedades a navegar por esse momento crítico e que a resposta ideal à inteligência artificial “não será maior especialização em domínios relacionados à tecnologia; em vez disso, é um currículo equilibrado o que mantém, se é que não fortalece, e aperfeiçoa a oferta de artes e humanidades para reforçar a responsabilidade, a empatia, a moral, a criatividade e a colaboração dos estudantes.”
“O principal argumento do GEM Report 2023 é que o uso da tecnologia na educação deve ser adequado a cada contexto, inclusivo e equitativo, escalável e sustentável. Precisa ser definido nos termos da comunidade educativa ao colocar a aprendizagem e o bem-estar dos alunos no centro. A fim de cumprir esse importante papel, será preciso o desenvolvimento de novas competências e habilidades por gestores e educadores, e a criação de estruturas organizacionais que garantam a implementação ágil, eficiente e transparente dos recursos destinados à tecnologia educacional”, resumiu a consultora em educação digital Lúcia Dellagnelo, integrante do time de especialistas internacionais do relatório da Unesco, em artigo para o site Porvir.