ENSINO MAIS PRAZEROSO
Um dos principais desafios das escolas em relação à aprendizagem de Matemática é justamente combater a crença de que Matemática é algo muito difícil, ou para poucos. Em entrevista ao canal do YouTube MyNews, o diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), Marcelo Viana, salientou a importância da disciplina para que todos os indivíduos possam se constituir como cidadãos: “A matemática é uma condição de realização de cidadania. Uma pessoa que compra um eletrodoméstico no crediário e não entende o conceito de taxa de juros não se realiza como cidadã”, afirma.
Uma das estratégias possíveis, utilizadas por redes e escolas, para melhorar a aprendizagem em matemática é aproveitar o interesse dos alunos em competições externas. Em 2023, por exemplo, o governo do estado do Piauí criou o projeto Seduc Olímpica para promover, organizar e apoiar olimpíadas, feiras de ciências e/ou torneios que contribuam para melhoria da proficiência em todos os componentes curriculares da Educação Básica. Além disso, implementou o programa Recomposição de Aprendizagens, que propõe práticas voltadas para melhorar os indicadores educacionais da rede pública estadual com foco em Língua Portuguesa e Matemática.
Uma das formas encontradas pelo Centro Estadual de Tempo Integral Augustinho Brandão, escola situada na cidade de Cocal do Alves (PI) foi, também, promover a participação dos estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio em competições de Matemática, com destaque para a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP).
O CETI criou grupos de estudo para o desenvolvimento das competências cobradas na OBMEP e passou a oferecer aulas de reforço no contraturno escolar e aos sábados. “Com o tempo, os professores de Matemática foram integrando todas as competências cobradas na OBMEP à sala de aula”, explica o diretor da escola, Darkson Vieira. “Com isso, o ensino foi se tornando mais prazeroso. Hoje, os alunos gostam muito das aulas e estão muito envolvidos com a disciplina”, afirma. Isso, segundo Vieira, repercute na aprovação dos alunos e nas avaliações externas, extrapolando a questão das olimpíadas. Ele destaca ainda que todas as atividades relacionadas à Matemática na escola são muito voltadas para a resolução de problemas e para o cotidiano dos alunos.
O Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) Liceu Parnaibano, localizado no município de Parnaíba (PI), seguiu o mesmo caminho. Além de criar um Laboratório de Estudos de Matemática e Estatística (Leme), a escola passou a oferecer aulas de preparação para as competições e a realizar eventos para reconhecer e bonificar os alunos que obtêm bons resultados nas olimpíadas. “Nossa intenção é valorizar o compromisso e a dedicação dos alunos, para que tenham vontade de aprender”, explica o diretor Fernando Lima.