Ex- gerente de Educação no Campo, Indígena e Quilombola da Secretaria de Educação do Espírito Santo, Valquiria Santos criou e coordenou a Comissão Permanente de Estudos Afrobrasileiros. Um mapeamento dos resultados das escolas mostrou forte disparidade racial, principalmente dentro dos territórios mais vulneráveis, com resultados piores de evasão escolar, abandono e reprovação.
Em plena pandemia, a comissão desenhou o programa Raízes, para formação étnico-racial de professores, e produziu materiais para uso em sala de aula. “Ouvimos a rede, diagnosticamos, olhamos os resultados de aprendizagem, sobretudo dados de equidade racial e desigualdades como um todo. Desenvolvemos uma formação em educação racial para os professores. Fizemos uma frente de trabalho para gestão sobre equidade racial; estruturamos a agenda para o Proerer; chamamos novamente a rede, produzimos um material sobre gestão e depois um material pedagógico de apoio para o currículo, que aponta frentes de trabalho para desenvolver uma prática de redução de desigualdades”, lembra Valquiria.
Os materiais de auxílio ao professor trazem indicações de leitura, orientações sobre como tratar os temas em sala de aula, um glossário e uma lista de expressões racistas a serem evitadas. Todos os conteúdos são de livre acesso ao público e estão disponíveis aqui. Nesse período também foi criada a primeira escola indígena de ensino médio da rede estadual, na aldeia de Caieiras Velha, em Aracruz.
Outro exemplo de ação para reverter desigualdades vem de Porteiras (CE), onde a equipe pedagógica Escola de Ensino Médio Aristarco Cardoso, após dois anos de aulas remotas, percebeu que seria preciso criar estratégias para suprir muito do aprendizado que deveria ter ocorrido naqueles dois anos, com atenção especial aos alunos que estavam em nível crítico ou muito crítico de aprendizagem.
A primeira batalha foi motivar os alunos a participar da avaliação diagnóstica realizada semestralmente em toda a rede estadual, a fim de saber o nível das turmas. Com os resultados em mãos, a escola fez um planejamento e traçou metas. Entre elas, valorizar as conquistas dos que alcançaram nível de aprendizagem desejável, com a entrega de certificados em “momentos solenes” e na presença das famílias, cafés com os professores ou participação em atividades de lazer e cultura, como a ida a um cinema ou ao shopping em Juazeiro do Norte, município de maior porte da região.
É o que a coordenadora Gizelia Amaro Ribeiro Ferreira chama de “apropriação dos resultados”, destacando e premiando as vitórias. “A gente começou a valorizar os alunos que estavam subindo de nível, e isso fez com que, na hora da avaliação diagnóstica, os demais alunos se interessassem em fazer a prova de modo bem responsável, pois sabiam que a escola iria valorizar.”