Investir melhor em prol das crianças é, ao mesmo tempo, um imperativo social e um investimento econômico sensato. Crianças que crescem na pobreza ou em condições de desvantagem estão mais sujeitas a apresentar piores resultados em termos de saúde, educação e inserção no mercado de trabalho ao longo de suas vidas, o que gera custos significativos para os indivíduos, para a sociedade e para as finanças públicas. Portanto, o desafio para os formuladores de políticas não reside apenas no montante a ser gasto, mas em como alocar e estruturar os gastos sociais de modo a promover o bem-estar infantil, assegurando, simultaneamente, a sustentabilidade fiscal.
Com base em uma abordagem voltada para a eficiência do gasto público (value-for-money), este relatório analisa como o volume, a alocação e a estruturação dos gastos sociais influenciam a pobreza infantil, a privação material, o desempenho educacional e a saúde, considerando também seus reflexos nos gastos sociais de longo prazo. As conclusões destacam a importância de adotar conjuntos de políticas coerentes, em vez de intervenções isoladas. Políticas voltadas para o emprego (incluindo a educação e o cuidado na primeira infância, medidas que favorecem a conciliação entre vida profissional e familiar, e políticas ativas de mercado de trabalho) podem fortalecer a renda das famílias e, ao mesmo tempo, apoiar o desenvolvimento das crianças. O apoio à renda, quando adequado e previsível, também desempenha um papel fundamental, especialmente se complementado por serviços acessíveis de saúde, habitação, educação e cuidado infantil, capazes de enfrentar as múltiplas fontes de desvantagem, que se encontram interconectadas.
O relatório ressalta, ainda, a relevância de um investimento contínuo ao longo de toda a infância — desde intervenções precoces nos primeiros anos de vida até o suporte constante durante a infância intermediária e a adolescência. Em suma, alcançar uma maior eficiência no uso dos recursos públicos exige a combinação de políticas que integrem, de forma eficaz, a efetividade, a equidade e a sustentabilidade fiscal.