Estudo mostra quem são os professores mais afetados pelo burnout: ‘Gastava tudo em remédio’


Dados são de pesquisa feita na Unifesp, que avalia sinais de esgotamento de 397 docentes; mulher que avança na carreira apresenta mais risco de problemas de saúde mental

Por Isabel Gomes
Atualização:

Aproximadamente um terço dos professores da educação básica sofre da síndrome de burnout, segundo estudo feito na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Salários defasados, violência nas escolas e pressão por resultados estão entre os fatores que contribuem para a aumentar o estresse no exercício da docência.

A pesquisa avaliou 397 professores, de vários Estados, de colégios públicos e privados. A educação básica tem estressores muito específicos, que vão além da regência e da burocracia. Professor lida com violência física e verbal na escola, falta de estrutura, sofre pressão da gestão escolar e da exigência dos pais”, diz Raphaela Gonçalves, que conduziu a investigação durante o mestrado em Ciências da Saúde.

Ela, que tem licenciatura em Biologia e Pedagogia, ainda destaca a falta de valorização. “A baixa remuneração exige carga horária cada vez maior para se manter financeiramente, fora o acúmulo de função, tendo um papel de psicólogo, assistente social e na família”, diz ela, que atua como professora.

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Os pesquisadores distribuíram entre os professores um formulário online, com três questionários. Um deles era sobre a prevalência de burnout, usando versão adaptada do Copenhagen Burnout Inventory (CBI), questionário de domínio público com 25 perguntas, de quatro dimensões:

  • Esgotamento pessoal (exaustão não relacionada a aspectos laborais);
  • Burnout relacionado ao trabalho (sexaustão e frustração intimamente ligados ao trabalho)
  • Burnout ligado aos alunos (influência da relação professor-aluno no entusiasmo profissional)
  • Burnout relacionado aos colegas (sentimentos do profissional frente à equipe com a qual lida)
Vanessa passou um tempo afastada da docência antes voltar para as salas de aula Foto: Taba Benedicto/Estadão
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Após perguntas sobre cada variável (como: “sente-­se exausto logo pela manhã quando pensa em mais um dia de trabalho?”, o respondente assinalava a frequência com que se identificava com a frase.

O segundo formulário era sobre satisfação no trabalho, medido pelo questionário Teacher Job Satisfaction Questionnaire, com 66 perguntas. Entre os tópicos, havia salário, responsabilidades, colegas, condições de trabalho e reconhecimento etc. O outro questionário era sobre dados sociodemográficos. Entre 32,75% dos participantes, os pesquisadores viram sinais de burnout.

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Mulheres que ganham mais e mães são mais propensas

Segundo a pesquisa, a prevalência dos sintomas de esgotamento entre homens e mulheres era parecida. “Não teve um mais afetado que o outro”, diz Raphaela. “Mas quando cruzamos os dados, vimos que fatores demográficos e a satisfação no trabalho afetavam esses grupos de maneira distinta.”

Pelos dados, o estudo constatou que maiores salários conferem diminuição das chances de ter esgotamento pessoal entre homens. Já, para mulheres, quanto maior o salário, maior o risco de esgotamento. “Para ganhar mais, ela tem de trabalhar mais, sofre mais cobrança”, afirma. “Em casa, ela continua trabalhando. Para mulher, fatores positivos no trabalho a deixam mais propensas ao burnout.”

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O mesmo vale para as mães. Conforme o número de filhos aumenta, as mulheres têm mais risco de esgotamento pessoal. Já em homens, a quantidade de filhos é inversamente proporcional ao risco de desenvolver o transtorno. “Provavelmente para o homem, filho traz mais satisfação. Não que a mulher não se sinta realizada com os filhos, mas é um trabalho a mais, uma responsabilidade além.”

A pesquisa não viu relação da prevalência da síndrome e fatores como região do País, escola pública e privada e renda. Um dos pontos que chamaram a atenção da pesquisadora, porém, foi a maior satisfação de trabalho entre professores da rede pública em comparação a profissionais de colégios privados.

“Pode ter a ver com o fato de que professores da rede pública entendem sua função como propósito, meio de mudança. É um pouco diferente do professor na rede particular, que tem cobrança muito maior. Os pais, como pagam pelo ensino, estão muito mais presentes e exigem mais”, afirma.

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‘Dormir significava virar o outro dia’

Foi justamente a baixa satisfação com o emprego em uma escola da rede privada levou Vanessa Paula Teixeira, 47 anos, ao quadro de burnout há quase 10 anos. A pedagoga, que tem 20 anos de atuação na área, antes trabalhava com a educação de pessoas com deficiência (PcD), mas aceitou a proposta de ir para uma escola particular pelo salário ser mais alto. “Foi a pior coisa que fiz. Tudo que eu ganhava gastava em remédio”, relembra.

Segundo a educadora, o esgotamento estava atrelado a uma série de fatores no ambiente de trabalho, como pressão psicológica por parte da gestão e dos pais, prazos incompatíveis, sobrecarga e assédio moral. Não demorou para os sintomas de burnout aparecerem.

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“Eu tinha uma insônia absurda, não conseguia dormir. Porque dormir significava virar o outro dia”, diz. “Começava a dar o horário de ir trabalhar, me dava uma falta de ar que parecia que eu ia morrer. Era um medo absurdo do horário de estar naquele lugar”, relata Vanessa, que também diz ter emagrecido na época, por falta de apetite.

A pedagoga buscou auxílio de psicólogo e de psiquiatra e começou a tomar remédios. A saída da escola ocorreu após dois anos: foi demitida após retornar de licença, justamente por questões de saúde mental. “Quando você está na situação, não consegue se ver doente, por mais que todo mundo fale. Você acha que é normal. É estresse, rotina intensa. Só enxerga o mal que lhe faz quando sai.”

Principais sintomas de burnout, conforme o Ministério da Saúde:

  • Cansaço excessivo, físico e mental;
  • Dor de cabeça frequente;
  • Alterações no apetite e problemas gastrointestinais;
  • Insônia;
  • Dificuldades de concentração;
  • Sentimentos de fracasso e insegurança;
  • Negatividade constante e sentimentos como derrota, desesperança ou incompetência;
  • Isolamento;
  • Pressão alta e alteração nos batimentos cardíacos;
  • Dores musculares.

Afastamento pode ser a solução

Segundo a neuropsicóloga Carolina Garcia, que estuda a saúde mental na docência, o burnout é caracterizado pelo esgotamento. “Relacionamos a questão (burnout entre professores) ao fato de que hoje existe falta não só de reconhecimento, mas de estrutura para que o professor possa desempenhar bom papel”, explica.

A falta de suporte da escola aos docentes, o comportamento dos alunos e excesso de burocracia podem ser causas. Ela destaca ainda sobrecarga de tarefas, uma vez que a função exige tempo de trabalho antes e depois da jornada em sala de aula, com preparação de aulas e correção de provas.

“O professor tem cerca de 30 a 40 alunos em cada turma. Ele tem de saber o nome, como se relacionar, entender suas dificuldades. Tem uma série de fatores que realmente acabam complicando.”

Entre os sintomas, estão o desejo de se afastar do trabalho, pensamentos negativos sobre sua atuação, mudança no comportamento alimentar e do sono. Mas, ressalta ela, é importante diferenciar burnout e cansaço, que é normal. “Você recarrega as suas energias no fim de semana ou nas férias. Já quando fala de esgotamento, essa falta de disposição de interesse pelo trabalho já é não é mais suprida.”

Neste caso, o tratamento deve ser feito com acompanhamento psicológico e psiquiátrico. Em muitas situações, o burnout exige que o professor se afaste do ambiente escolar, no mínimo, por seis meses. “É difícil se recuperar no mesmo ambiente que a gente acabou adoecendo”, pondera.

Vanessa que, após ser demitida da escola onde desenvolveu burnout, deixou de lado a educação por alguns anos. “Fui convidada por uma corretora de seguros para atuar, e foi isso que me ajudou a melhorar da minha doença. Saí do ambiente de gatilho”, conta.

Após se sentir segura para a retomada, Vanessa voltou à educação, como professora infantil na rede pública. “Hoje vivo em outra realidade. Tomei a medicação por muitos anos e fiz desmame aos poucos”, conta.

Uma readaptação no ambiente de trabalho ou realocar o professor para outra função ou instituição também pode ser a solução, se o acompanhamento profissional assim sugerir. O tratamento com psicoterapia pode auxiliar na parte comportamental, para ajudar a melhorar os pensamentos do professor diante do cenário que causou o estresse, indica a neuropsicóloga.

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo informou que as unidades escolares têm apoio das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de referência e as Comissões de Mediação de Conflitos. E destacou a ampliação da rede de Proteção Escolar e Cultura de Paz, além do apoio dos profissionais do Núcleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem, que contam com psicólogos e psicopedagogos.

Também procurada, a Secretaria Estadual de Educação destacou a existência na rede, desde 2019, do Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva-SP). Segundo a pasta, essa ação prevê estratégias de apoio e acompanhamento às equipes docentes e dirigentes, que prevê, dentre outros fatores, fortalecer a rede de proteção social no entorno da comunidade escolar e aproximação entre os serviços de assistência social e saúde mental.

O Estado também prevê contratar 550 profissionais presenciais, que ficarão nas 91 diretorias de ensino (DEs). Os profissionais vão atuar, cada um, em até 10 escolas por semana presencialmente, com pelo menos 600 mil horas de atendimento.

Além disso, o governo diz que deu início em maio à 1ª edição do curso “Ame sua Mente na Escola”. Ao todo, quase 3 mil professores participam.

Aproximadamente um terço dos professores da educação básica sofre da síndrome de burnout, segundo estudo feito na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Salários defasados, violência nas escolas e pressão por resultados estão entre os fatores que contribuem para a aumentar o estresse no exercício da docência.

A pesquisa avaliou 397 professores, de vários Estados, de colégios públicos e privados. A educação básica tem estressores muito específicos, que vão além da regência e da burocracia. Professor lida com violência física e verbal na escola, falta de estrutura, sofre pressão da gestão escolar e da exigência dos pais”, diz Raphaela Gonçalves, que conduziu a investigação durante o mestrado em Ciências da Saúde.

Ela, que tem licenciatura em Biologia e Pedagogia, ainda destaca a falta de valorização. “A baixa remuneração exige carga horária cada vez maior para se manter financeiramente, fora o acúmulo de função, tendo um papel de psicólogo, assistente social e na família”, diz ela, que atua como professora.

Os pesquisadores distribuíram entre os professores um formulário online, com três questionários. Um deles era sobre a prevalência de burnout, usando versão adaptada do Copenhagen Burnout Inventory (CBI), questionário de domínio público com 25 perguntas, de quatro dimensões:

  • Esgotamento pessoal (exaustão não relacionada a aspectos laborais);
  • Burnout relacionado ao trabalho (sexaustão e frustração intimamente ligados ao trabalho)
  • Burnout ligado aos alunos (influência da relação professor-aluno no entusiasmo profissional)
  • Burnout relacionado aos colegas (sentimentos do profissional frente à equipe com a qual lida)
Vanessa passou um tempo afastada da docência antes voltar para as salas de aula Foto: Taba Benedicto/Estadão

Após perguntas sobre cada variável (como: “sente-­se exausto logo pela manhã quando pensa em mais um dia de trabalho?”, o respondente assinalava a frequência com que se identificava com a frase.

O segundo formulário era sobre satisfação no trabalho, medido pelo questionário Teacher Job Satisfaction Questionnaire, com 66 perguntas. Entre os tópicos, havia salário, responsabilidades, colegas, condições de trabalho e reconhecimento etc. O outro questionário era sobre dados sociodemográficos. Entre 32,75% dos participantes, os pesquisadores viram sinais de burnout.

Mulheres que ganham mais e mães são mais propensas

Segundo a pesquisa, a prevalência dos sintomas de esgotamento entre homens e mulheres era parecida. “Não teve um mais afetado que o outro”, diz Raphaela. “Mas quando cruzamos os dados, vimos que fatores demográficos e a satisfação no trabalho afetavam esses grupos de maneira distinta.”

Pelos dados, o estudo constatou que maiores salários conferem diminuição das chances de ter esgotamento pessoal entre homens. Já, para mulheres, quanto maior o salário, maior o risco de esgotamento. “Para ganhar mais, ela tem de trabalhar mais, sofre mais cobrança”, afirma. “Em casa, ela continua trabalhando. Para mulher, fatores positivos no trabalho a deixam mais propensas ao burnout.”

O mesmo vale para as mães. Conforme o número de filhos aumenta, as mulheres têm mais risco de esgotamento pessoal. Já em homens, a quantidade de filhos é inversamente proporcional ao risco de desenvolver o transtorno. “Provavelmente para o homem, filho traz mais satisfação. Não que a mulher não se sinta realizada com os filhos, mas é um trabalho a mais, uma responsabilidade além.”

A pesquisa não viu relação da prevalência da síndrome e fatores como região do País, escola pública e privada e renda. Um dos pontos que chamaram a atenção da pesquisadora, porém, foi a maior satisfação de trabalho entre professores da rede pública em comparação a profissionais de colégios privados.

“Pode ter a ver com o fato de que professores da rede pública entendem sua função como propósito, meio de mudança. É um pouco diferente do professor na rede particular, que tem cobrança muito maior. Os pais, como pagam pelo ensino, estão muito mais presentes e exigem mais”, afirma.

‘Dormir significava virar o outro dia’

Foi justamente a baixa satisfação com o emprego em uma escola da rede privada levou Vanessa Paula Teixeira, 47 anos, ao quadro de burnout há quase 10 anos. A pedagoga, que tem 20 anos de atuação na área, antes trabalhava com a educação de pessoas com deficiência (PcD), mas aceitou a proposta de ir para uma escola particular pelo salário ser mais alto. “Foi a pior coisa que fiz. Tudo que eu ganhava gastava em remédio”, relembra.

Segundo a educadora, o esgotamento estava atrelado a uma série de fatores no ambiente de trabalho, como pressão psicológica por parte da gestão e dos pais, prazos incompatíveis, sobrecarga e assédio moral. Não demorou para os sintomas de burnout aparecerem.

“Eu tinha uma insônia absurda, não conseguia dormir. Porque dormir significava virar o outro dia”, diz. “Começava a dar o horário de ir trabalhar, me dava uma falta de ar que parecia que eu ia morrer. Era um medo absurdo do horário de estar naquele lugar”, relata Vanessa, que também diz ter emagrecido na época, por falta de apetite.

A pedagoga buscou auxílio de psicólogo e de psiquiatra e começou a tomar remédios. A saída da escola ocorreu após dois anos: foi demitida após retornar de licença, justamente por questões de saúde mental. “Quando você está na situação, não consegue se ver doente, por mais que todo mundo fale. Você acha que é normal. É estresse, rotina intensa. Só enxerga o mal que lhe faz quando sai.”

Principais sintomas de burnout, conforme o Ministério da Saúde:

  • Cansaço excessivo, físico e mental;
  • Dor de cabeça frequente;
  • Alterações no apetite e problemas gastrointestinais;
  • Insônia;
  • Dificuldades de concentração;
  • Sentimentos de fracasso e insegurança;
  • Negatividade constante e sentimentos como derrota, desesperança ou incompetência;
  • Isolamento;
  • Pressão alta e alteração nos batimentos cardíacos;
  • Dores musculares.

Afastamento pode ser a solução

Segundo a neuropsicóloga Carolina Garcia, que estuda a saúde mental na docência, o burnout é caracterizado pelo esgotamento. “Relacionamos a questão (burnout entre professores) ao fato de que hoje existe falta não só de reconhecimento, mas de estrutura para que o professor possa desempenhar bom papel”, explica.

A falta de suporte da escola aos docentes, o comportamento dos alunos e excesso de burocracia podem ser causas. Ela destaca ainda sobrecarga de tarefas, uma vez que a função exige tempo de trabalho antes e depois da jornada em sala de aula, com preparação de aulas e correção de provas.

“O professor tem cerca de 30 a 40 alunos em cada turma. Ele tem de saber o nome, como se relacionar, entender suas dificuldades. Tem uma série de fatores que realmente acabam complicando.”

Entre os sintomas, estão o desejo de se afastar do trabalho, pensamentos negativos sobre sua atuação, mudança no comportamento alimentar e do sono. Mas, ressalta ela, é importante diferenciar burnout e cansaço, que é normal. “Você recarrega as suas energias no fim de semana ou nas férias. Já quando fala de esgotamento, essa falta de disposição de interesse pelo trabalho já é não é mais suprida.”

Neste caso, o tratamento deve ser feito com acompanhamento psicológico e psiquiátrico. Em muitas situações, o burnout exige que o professor se afaste do ambiente escolar, no mínimo, por seis meses. “É difícil se recuperar no mesmo ambiente que a gente acabou adoecendo”, pondera.

Vanessa que, após ser demitida da escola onde desenvolveu burnout, deixou de lado a educação por alguns anos. “Fui convidada por uma corretora de seguros para atuar, e foi isso que me ajudou a melhorar da minha doença. Saí do ambiente de gatilho”, conta.

Após se sentir segura para a retomada, Vanessa voltou à educação, como professora infantil na rede pública. “Hoje vivo em outra realidade. Tomei a medicação por muitos anos e fiz desmame aos poucos”, conta.

Uma readaptação no ambiente de trabalho ou realocar o professor para outra função ou instituição também pode ser a solução, se o acompanhamento profissional assim sugerir. O tratamento com psicoterapia pode auxiliar na parte comportamental, para ajudar a melhorar os pensamentos do professor diante do cenário que causou o estresse, indica a neuropsicóloga.

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo informou que as unidades escolares têm apoio das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de referência e as Comissões de Mediação de Conflitos. E destacou a ampliação da rede de Proteção Escolar e Cultura de Paz, além do apoio dos profissionais do Núcleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem, que contam com psicólogos e psicopedagogos.

Também procurada, a Secretaria Estadual de Educação destacou a existência na rede, desde 2019, do Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva-SP). Segundo a pasta, essa ação prevê estratégias de apoio e acompanhamento às equipes docentes e dirigentes, que prevê, dentre outros fatores, fortalecer a rede de proteção social no entorno da comunidade escolar e aproximação entre os serviços de assistência social e saúde mental.

O Estado também prevê contratar 550 profissionais presenciais, que ficarão nas 91 diretorias de ensino (DEs). Os profissionais vão atuar, cada um, em até 10 escolas por semana presencialmente, com pelo menos 600 mil horas de atendimento.

Além disso, o governo diz que deu início em maio à 1ª edição do curso “Ame sua Mente na Escola”. Ao todo, quase 3 mil professores participam.

Aproximadamente um terço dos professores da educação básica sofre da síndrome de burnout, segundo estudo feito na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Salários defasados, violência nas escolas e pressão por resultados estão entre os fatores que contribuem para a aumentar o estresse no exercício da docência.

A pesquisa avaliou 397 professores, de vários Estados, de colégios públicos e privados. A educação básica tem estressores muito específicos, que vão além da regência e da burocracia. Professor lida com violência física e verbal na escola, falta de estrutura, sofre pressão da gestão escolar e da exigência dos pais”, diz Raphaela Gonçalves, que conduziu a investigação durante o mestrado em Ciências da Saúde.

Ela, que tem licenciatura em Biologia e Pedagogia, ainda destaca a falta de valorização. “A baixa remuneração exige carga horária cada vez maior para se manter financeiramente, fora o acúmulo de função, tendo um papel de psicólogo, assistente social e na família”, diz ela, que atua como professora.

Os pesquisadores distribuíram entre os professores um formulário online, com três questionários. Um deles era sobre a prevalência de burnout, usando versão adaptada do Copenhagen Burnout Inventory (CBI), questionário de domínio público com 25 perguntas, de quatro dimensões:

  • Esgotamento pessoal (exaustão não relacionada a aspectos laborais);
  • Burnout relacionado ao trabalho (sexaustão e frustração intimamente ligados ao trabalho)
  • Burnout ligado aos alunos (influência da relação professor-aluno no entusiasmo profissional)
  • Burnout relacionado aos colegas (sentimentos do profissional frente à equipe com a qual lida)
Vanessa passou um tempo afastada da docência antes voltar para as salas de aula Foto: Taba Benedicto/Estadão

Após perguntas sobre cada variável (como: “sente-­se exausto logo pela manhã quando pensa em mais um dia de trabalho?”, o respondente assinalava a frequência com que se identificava com a frase.

O segundo formulário era sobre satisfação no trabalho, medido pelo questionário Teacher Job Satisfaction Questionnaire, com 66 perguntas. Entre os tópicos, havia salário, responsabilidades, colegas, condições de trabalho e reconhecimento etc. O outro questionário era sobre dados sociodemográficos. Entre 32,75% dos participantes, os pesquisadores viram sinais de burnout.

Mulheres que ganham mais e mães são mais propensas

Segundo a pesquisa, a prevalência dos sintomas de esgotamento entre homens e mulheres era parecida. “Não teve um mais afetado que o outro”, diz Raphaela. “Mas quando cruzamos os dados, vimos que fatores demográficos e a satisfação no trabalho afetavam esses grupos de maneira distinta.”

Pelos dados, o estudo constatou que maiores salários conferem diminuição das chances de ter esgotamento pessoal entre homens. Já, para mulheres, quanto maior o salário, maior o risco de esgotamento. “Para ganhar mais, ela tem de trabalhar mais, sofre mais cobrança”, afirma. “Em casa, ela continua trabalhando. Para mulher, fatores positivos no trabalho a deixam mais propensas ao burnout.”

O mesmo vale para as mães. Conforme o número de filhos aumenta, as mulheres têm mais risco de esgotamento pessoal. Já em homens, a quantidade de filhos é inversamente proporcional ao risco de desenvolver o transtorno. “Provavelmente para o homem, filho traz mais satisfação. Não que a mulher não se sinta realizada com os filhos, mas é um trabalho a mais, uma responsabilidade além.”

A pesquisa não viu relação da prevalência da síndrome e fatores como região do País, escola pública e privada e renda. Um dos pontos que chamaram a atenção da pesquisadora, porém, foi a maior satisfação de trabalho entre professores da rede pública em comparação a profissionais de colégios privados.

“Pode ter a ver com o fato de que professores da rede pública entendem sua função como propósito, meio de mudança. É um pouco diferente do professor na rede particular, que tem cobrança muito maior. Os pais, como pagam pelo ensino, estão muito mais presentes e exigem mais”, afirma.

‘Dormir significava virar o outro dia’

Foi justamente a baixa satisfação com o emprego em uma escola da rede privada levou Vanessa Paula Teixeira, 47 anos, ao quadro de burnout há quase 10 anos. A pedagoga, que tem 20 anos de atuação na área, antes trabalhava com a educação de pessoas com deficiência (PcD), mas aceitou a proposta de ir para uma escola particular pelo salário ser mais alto. “Foi a pior coisa que fiz. Tudo que eu ganhava gastava em remédio”, relembra.

Segundo a educadora, o esgotamento estava atrelado a uma série de fatores no ambiente de trabalho, como pressão psicológica por parte da gestão e dos pais, prazos incompatíveis, sobrecarga e assédio moral. Não demorou para os sintomas de burnout aparecerem.

“Eu tinha uma insônia absurda, não conseguia dormir. Porque dormir significava virar o outro dia”, diz. “Começava a dar o horário de ir trabalhar, me dava uma falta de ar que parecia que eu ia morrer. Era um medo absurdo do horário de estar naquele lugar”, relata Vanessa, que também diz ter emagrecido na época, por falta de apetite.

A pedagoga buscou auxílio de psicólogo e de psiquiatra e começou a tomar remédios. A saída da escola ocorreu após dois anos: foi demitida após retornar de licença, justamente por questões de saúde mental. “Quando você está na situação, não consegue se ver doente, por mais que todo mundo fale. Você acha que é normal. É estresse, rotina intensa. Só enxerga o mal que lhe faz quando sai.”

Principais sintomas de burnout, conforme o Ministério da Saúde:

  • Cansaço excessivo, físico e mental;
  • Dor de cabeça frequente;
  • Alterações no apetite e problemas gastrointestinais;
  • Insônia;
  • Dificuldades de concentração;
  • Sentimentos de fracasso e insegurança;
  • Negatividade constante e sentimentos como derrota, desesperança ou incompetência;
  • Isolamento;
  • Pressão alta e alteração nos batimentos cardíacos;
  • Dores musculares.

Afastamento pode ser a solução

Segundo a neuropsicóloga Carolina Garcia, que estuda a saúde mental na docência, o burnout é caracterizado pelo esgotamento. “Relacionamos a questão (burnout entre professores) ao fato de que hoje existe falta não só de reconhecimento, mas de estrutura para que o professor possa desempenhar bom papel”, explica.

A falta de suporte da escola aos docentes, o comportamento dos alunos e excesso de burocracia podem ser causas. Ela destaca ainda sobrecarga de tarefas, uma vez que a função exige tempo de trabalho antes e depois da jornada em sala de aula, com preparação de aulas e correção de provas.

“O professor tem cerca de 30 a 40 alunos em cada turma. Ele tem de saber o nome, como se relacionar, entender suas dificuldades. Tem uma série de fatores que realmente acabam complicando.”

Entre os sintomas, estão o desejo de se afastar do trabalho, pensamentos negativos sobre sua atuação, mudança no comportamento alimentar e do sono. Mas, ressalta ela, é importante diferenciar burnout e cansaço, que é normal. “Você recarrega as suas energias no fim de semana ou nas férias. Já quando fala de esgotamento, essa falta de disposição de interesse pelo trabalho já é não é mais suprida.”

Neste caso, o tratamento deve ser feito com acompanhamento psicológico e psiquiátrico. Em muitas situações, o burnout exige que o professor se afaste do ambiente escolar, no mínimo, por seis meses. “É difícil se recuperar no mesmo ambiente que a gente acabou adoecendo”, pondera.

Vanessa que, após ser demitida da escola onde desenvolveu burnout, deixou de lado a educação por alguns anos. “Fui convidada por uma corretora de seguros para atuar, e foi isso que me ajudou a melhorar da minha doença. Saí do ambiente de gatilho”, conta.

Após se sentir segura para a retomada, Vanessa voltou à educação, como professora infantil na rede pública. “Hoje vivo em outra realidade. Tomei a medicação por muitos anos e fiz desmame aos poucos”, conta.

Uma readaptação no ambiente de trabalho ou realocar o professor para outra função ou instituição também pode ser a solução, se o acompanhamento profissional assim sugerir. O tratamento com psicoterapia pode auxiliar na parte comportamental, para ajudar a melhorar os pensamentos do professor diante do cenário que causou o estresse, indica a neuropsicóloga.

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo informou que as unidades escolares têm apoio das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de referência e as Comissões de Mediação de Conflitos. E destacou a ampliação da rede de Proteção Escolar e Cultura de Paz, além do apoio dos profissionais do Núcleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem, que contam com psicólogos e psicopedagogos.

Também procurada, a Secretaria Estadual de Educação destacou a existência na rede, desde 2019, do Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva-SP). Segundo a pasta, essa ação prevê estratégias de apoio e acompanhamento às equipes docentes e dirigentes, que prevê, dentre outros fatores, fortalecer a rede de proteção social no entorno da comunidade escolar e aproximação entre os serviços de assistência social e saúde mental.

O Estado também prevê contratar 550 profissionais presenciais, que ficarão nas 91 diretorias de ensino (DEs). Os profissionais vão atuar, cada um, em até 10 escolas por semana presencialmente, com pelo menos 600 mil horas de atendimento.

Além disso, o governo diz que deu início em maio à 1ª edição do curso “Ame sua Mente na Escola”. Ao todo, quase 3 mil professores participam.

Aproximadamente um terço dos professores da educação básica sofre da síndrome de burnout, segundo estudo feito na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Salários defasados, violência nas escolas e pressão por resultados estão entre os fatores que contribuem para a aumentar o estresse no exercício da docência.

A pesquisa avaliou 397 professores, de vários Estados, de colégios públicos e privados. A educação básica tem estressores muito específicos, que vão além da regência e da burocracia. Professor lida com violência física e verbal na escola, falta de estrutura, sofre pressão da gestão escolar e da exigência dos pais”, diz Raphaela Gonçalves, que conduziu a investigação durante o mestrado em Ciências da Saúde.

Ela, que tem licenciatura em Biologia e Pedagogia, ainda destaca a falta de valorização. “A baixa remuneração exige carga horária cada vez maior para se manter financeiramente, fora o acúmulo de função, tendo um papel de psicólogo, assistente social e na família”, diz ela, que atua como professora.

Os pesquisadores distribuíram entre os professores um formulário online, com três questionários. Um deles era sobre a prevalência de burnout, usando versão adaptada do Copenhagen Burnout Inventory (CBI), questionário de domínio público com 25 perguntas, de quatro dimensões:

  • Esgotamento pessoal (exaustão não relacionada a aspectos laborais);
  • Burnout relacionado ao trabalho (sexaustão e frustração intimamente ligados ao trabalho)
  • Burnout ligado aos alunos (influência da relação professor-aluno no entusiasmo profissional)
  • Burnout relacionado aos colegas (sentimentos do profissional frente à equipe com a qual lida)
Vanessa passou um tempo afastada da docência antes voltar para as salas de aula Foto: Taba Benedicto/Estadão

Após perguntas sobre cada variável (como: “sente-­se exausto logo pela manhã quando pensa em mais um dia de trabalho?”, o respondente assinalava a frequência com que se identificava com a frase.

O segundo formulário era sobre satisfação no trabalho, medido pelo questionário Teacher Job Satisfaction Questionnaire, com 66 perguntas. Entre os tópicos, havia salário, responsabilidades, colegas, condições de trabalho e reconhecimento etc. O outro questionário era sobre dados sociodemográficos. Entre 32,75% dos participantes, os pesquisadores viram sinais de burnout.

Mulheres que ganham mais e mães são mais propensas

Segundo a pesquisa, a prevalência dos sintomas de esgotamento entre homens e mulheres era parecida. “Não teve um mais afetado que o outro”, diz Raphaela. “Mas quando cruzamos os dados, vimos que fatores demográficos e a satisfação no trabalho afetavam esses grupos de maneira distinta.”

Pelos dados, o estudo constatou que maiores salários conferem diminuição das chances de ter esgotamento pessoal entre homens. Já, para mulheres, quanto maior o salário, maior o risco de esgotamento. “Para ganhar mais, ela tem de trabalhar mais, sofre mais cobrança”, afirma. “Em casa, ela continua trabalhando. Para mulher, fatores positivos no trabalho a deixam mais propensas ao burnout.”

O mesmo vale para as mães. Conforme o número de filhos aumenta, as mulheres têm mais risco de esgotamento pessoal. Já em homens, a quantidade de filhos é inversamente proporcional ao risco de desenvolver o transtorno. “Provavelmente para o homem, filho traz mais satisfação. Não que a mulher não se sinta realizada com os filhos, mas é um trabalho a mais, uma responsabilidade além.”

A pesquisa não viu relação da prevalência da síndrome e fatores como região do País, escola pública e privada e renda. Um dos pontos que chamaram a atenção da pesquisadora, porém, foi a maior satisfação de trabalho entre professores da rede pública em comparação a profissionais de colégios privados.

“Pode ter a ver com o fato de que professores da rede pública entendem sua função como propósito, meio de mudança. É um pouco diferente do professor na rede particular, que tem cobrança muito maior. Os pais, como pagam pelo ensino, estão muito mais presentes e exigem mais”, afirma.

‘Dormir significava virar o outro dia’

Foi justamente a baixa satisfação com o emprego em uma escola da rede privada levou Vanessa Paula Teixeira, 47 anos, ao quadro de burnout há quase 10 anos. A pedagoga, que tem 20 anos de atuação na área, antes trabalhava com a educação de pessoas com deficiência (PcD), mas aceitou a proposta de ir para uma escola particular pelo salário ser mais alto. “Foi a pior coisa que fiz. Tudo que eu ganhava gastava em remédio”, relembra.

Segundo a educadora, o esgotamento estava atrelado a uma série de fatores no ambiente de trabalho, como pressão psicológica por parte da gestão e dos pais, prazos incompatíveis, sobrecarga e assédio moral. Não demorou para os sintomas de burnout aparecerem.

“Eu tinha uma insônia absurda, não conseguia dormir. Porque dormir significava virar o outro dia”, diz. “Começava a dar o horário de ir trabalhar, me dava uma falta de ar que parecia que eu ia morrer. Era um medo absurdo do horário de estar naquele lugar”, relata Vanessa, que também diz ter emagrecido na época, por falta de apetite.

A pedagoga buscou auxílio de psicólogo e de psiquiatra e começou a tomar remédios. A saída da escola ocorreu após dois anos: foi demitida após retornar de licença, justamente por questões de saúde mental. “Quando você está na situação, não consegue se ver doente, por mais que todo mundo fale. Você acha que é normal. É estresse, rotina intensa. Só enxerga o mal que lhe faz quando sai.”

Principais sintomas de burnout, conforme o Ministério da Saúde:

  • Cansaço excessivo, físico e mental;
  • Dor de cabeça frequente;
  • Alterações no apetite e problemas gastrointestinais;
  • Insônia;
  • Dificuldades de concentração;
  • Sentimentos de fracasso e insegurança;
  • Negatividade constante e sentimentos como derrota, desesperança ou incompetência;
  • Isolamento;
  • Pressão alta e alteração nos batimentos cardíacos;
  • Dores musculares.

Afastamento pode ser a solução

Segundo a neuropsicóloga Carolina Garcia, que estuda a saúde mental na docência, o burnout é caracterizado pelo esgotamento. “Relacionamos a questão (burnout entre professores) ao fato de que hoje existe falta não só de reconhecimento, mas de estrutura para que o professor possa desempenhar bom papel”, explica.

A falta de suporte da escola aos docentes, o comportamento dos alunos e excesso de burocracia podem ser causas. Ela destaca ainda sobrecarga de tarefas, uma vez que a função exige tempo de trabalho antes e depois da jornada em sala de aula, com preparação de aulas e correção de provas.

“O professor tem cerca de 30 a 40 alunos em cada turma. Ele tem de saber o nome, como se relacionar, entender suas dificuldades. Tem uma série de fatores que realmente acabam complicando.”

Entre os sintomas, estão o desejo de se afastar do trabalho, pensamentos negativos sobre sua atuação, mudança no comportamento alimentar e do sono. Mas, ressalta ela, é importante diferenciar burnout e cansaço, que é normal. “Você recarrega as suas energias no fim de semana ou nas férias. Já quando fala de esgotamento, essa falta de disposição de interesse pelo trabalho já é não é mais suprida.”

Neste caso, o tratamento deve ser feito com acompanhamento psicológico e psiquiátrico. Em muitas situações, o burnout exige que o professor se afaste do ambiente escolar, no mínimo, por seis meses. “É difícil se recuperar no mesmo ambiente que a gente acabou adoecendo”, pondera.

Vanessa que, após ser demitida da escola onde desenvolveu burnout, deixou de lado a educação por alguns anos. “Fui convidada por uma corretora de seguros para atuar, e foi isso que me ajudou a melhorar da minha doença. Saí do ambiente de gatilho”, conta.

Após se sentir segura para a retomada, Vanessa voltou à educação, como professora infantil na rede pública. “Hoje vivo em outra realidade. Tomei a medicação por muitos anos e fiz desmame aos poucos”, conta.

Uma readaptação no ambiente de trabalho ou realocar o professor para outra função ou instituição também pode ser a solução, se o acompanhamento profissional assim sugerir. O tratamento com psicoterapia pode auxiliar na parte comportamental, para ajudar a melhorar os pensamentos do professor diante do cenário que causou o estresse, indica a neuropsicóloga.

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo informou que as unidades escolares têm apoio das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de referência e as Comissões de Mediação de Conflitos. E destacou a ampliação da rede de Proteção Escolar e Cultura de Paz, além do apoio dos profissionais do Núcleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem, que contam com psicólogos e psicopedagogos.

Também procurada, a Secretaria Estadual de Educação destacou a existência na rede, desde 2019, do Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva-SP). Segundo a pasta, essa ação prevê estratégias de apoio e acompanhamento às equipes docentes e dirigentes, que prevê, dentre outros fatores, fortalecer a rede de proteção social no entorno da comunidade escolar e aproximação entre os serviços de assistência social e saúde mental.

O Estado também prevê contratar 550 profissionais presenciais, que ficarão nas 91 diretorias de ensino (DEs). Os profissionais vão atuar, cada um, em até 10 escolas por semana presencialmente, com pelo menos 600 mil horas de atendimento.

Além disso, o governo diz que deu início em maio à 1ª edição do curso “Ame sua Mente na Escola”. Ao todo, quase 3 mil professores participam.

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