Frente Ampla

Educação para a liberdade e para a construção do futuro

O estrangulamento das instituições federais de ensino é uma das marcas mais maléficas do governo Bolsonaro

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
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Fundado em 1837, o Colégio Pedro II está vivendo dias de profunda incerteza quanto a seu futuro. Uma das mais tradicionais instituições de ensino do País — um símbolo de excelência da rede federal de educação — já alertou que pode fechar as portas a partir de setembro devido ao corte de verbas para despesas de manutenção.

Ao Pedro II falta dinheiro para limpeza, vigilância, pagamento de contas de água, luz, telefone e internet, sem contar a tesourada nas verbas para investimentos e compra de equipamentos.

O cerco do governo Bolsonaro ao colégio que expressa um projeto de país ilustrado desde o Império chegou a ser comemorado em postagens nas redes sociais. Acreditem, há pessoas que celebram a perspectiva de fechamento de um “colégio esquerdista” — seja lá o que isso signifique.

Esse Brasil estranho, fincado na terra plana, comporta essas e outras bizarrices. Por exemplo, o protesto de pais de alunos de uma escola de São Paulo contra a leitura de O Diário de Anne Frank por seus filhos. Para essa gente, o relato da menina judia encerrada em um sótão para tentar sobreviver às câmaras de gás nazistas seria inapropriado em função de seu “conteúdo erótico”.

O caso do Colégio Pedro II não é uma exceção entre as instituições federais de ensino. Pelo menos 30 das 69 universidades federais do País enfrentam adversidades semelhantes: na falta de dinheiro para pagar despesas básicas, já começaram a demitir e cortar bolsas de pesquisa e de estudo e correm o risco de interromper suas atividades no segundo semestre.

O estrangulamento das instituições federais de ensino é uma das marcas mais maléficas do governo Bolsonaro. É grave, é revoltante e é um projeto que precisa ser combatido já.

Mas ainda mais aterrador do que ter um governo que elege como meta combater o saber, a produção de conhecimento e a pesquisa científica é perceber que há parcelas da sociedade que se sentem confortáveis com este projeto.

Em 2016, quando milhares de corajosos secundaristas ocuparam mais de 1000 escolas públicas em todo o País contra a reforma do Ensino Médio, não faltaram “defensores da família e da normalidade” para hostilizar o movimento.

Aqueles meninos e meninas, pouco mais velhos do que Anne Frank, lutavam contra o emburrecimento do nosso futuro como nação. Lutavam contra a mutilação de sua formação — com a transformação das Artes, da Filosofia e da Sociologia em “perfumarias curriculares”. Lutavam contra um ensino que quer formar apertadores de parafusos e não sujeitos pensantes.

Causa indignação que tenhamos hoje no País um governo que atenta, diuturnamente, contra a reflexão, a formação crítica e a experimentação científica. Mas governos, por piores que sejam, um dia chegam ao fim — e eu acredito que estamos próximos de varrer essa infelicidade que ocupa o Planalto para podermos começar a catar os cacos e iniciar a reconstrução do Brasil.

Como parlamentar, tenho enfrentado todas os atentados de Bolsonaro contra a Educação. Mas é urgente mobilizar setores mais amplos da sociedade em defesa de um projeto de Educação inclusiva, libertador e transformadora.

O Brasil não vai conseguir sair desse beco lúgubre enquanto houver tanta gente com medo do conhecimento e da ciência. Enquanto professores forem olhados com desconfiança, enquanto o pensamento crítico for tratado como subversão.

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