BULLYING

Bullying e agressão: saiba identificar os sinais de violência nos filhos e alunos

Os pais devem observar sinais de que a criança pode estar sofrendo agressão

Por Deanne Gherardi
Publicado em 13 de setembro de 2024 | 21:01
 
 
 

O Conselho Tutelar de Belo Horizonte e o Ministério Público de Minas Gerais estão acompanhando uma denúncia de agressão e bullying contra um aluno de 9 anos da unidade central do Colégio Santo Agostinho. Os pais da criança registraram um boletim de ocorrência no qual detalham que a violência foi tão grave que o aluno precisará passar por uma cirurgia. Os pais devem estar atentos a alguns sinais que demonstram que a criança está sendo vítima de algum tipo de agressão. “Nós temos muita dificuldade em falar sobre nossos sentimentos e pensamentos. O que geralmente aparece primeiro na criança é o comportamento. Uma criança que era mais sorridente e alegre pode se tornar introspectiva, mais apegada aos pais, ter distúrbios no sono ou na alimentação”, explica a psicóloga Kamila Kessia Rocha.

A especialista alerta que esses sinais podem ser indicadores não apenas de violência física, mas também de abuso emocional ou sexual. Além disso, a psicóloga ressaltou que os impactos da violência podem ser imediatos ou aparecer a longo prazo. “A curto prazo, podemos ver consequências físicas, como no caso de agressões que deixaram sequelas. No entanto, a longo prazo, a criança pode desenvolver depressão, fobia social ou ansiedade”, afirmou.

Quando se trata de agressões, seja como vítima ou agressor, Kamila recomenda que os pais mantenham um diálogo aberto com os filhos. “Ter uma boa conversa é essencial para identificar mudanças de comportamento. Perguntar sobre o dia da criança, como ela se sentiu na escola, se aconteceu algo que a deixou triste ou incomodada é uma maneira de abrir espaço para que ela fale sobre o que está acontecendo”, orienta a especialista. Ao descobrir que o filho está envolvido em agressões, seja como vítima ou agressor, Kamila enfatiza a importância de buscar ajuda profissional. “A terapia é fundamental tanto para tratar o trauma da vítima quanto para ajudar o agressor a entender e mudar seu comportamento”, destacou.

A psicóloga também mencionou o papel essencial da escola e da comunidade escolar em identificar e prevenir casos de violência. “A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) orienta o desenvolvimento de habilidades socioemocionais nas escolas, mas muitas vezes esse trabalho é feito de forma superficial. É preciso investir em atividades que promovam o respeito, a empatia e a cidadania entre as crianças”, sugeriu Kamila.

Por fim, a especialista reforçou que a prevenção começa em casa, com pais presentes e congruentes na educação dos filhos. “As crianças refletem o que veem em casa. Se os pais brigam constantemente ou não se respeitam, a criança pode reproduzir esse comportamento na escola. Diálogo, respeito e participação dos pais são fundamentais para prevenir comportamentos agressivos e promover a empatia”, concluiu.