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Bolsonaro diz que 'linguagem neutra dos gays' estraga a garotada

Do UOL, em São Paulo

07/12/2021 13h27Atualizada em 07/12/2021 14h08

O presidente Jair Bolsonaro (PL) se referiu, hoje, à linguagem neutra como sendo algo "dos gays" e disse que ela "estraga a garotada".

As declarações ocorreram durante conversa com apoiadores na portaria do Palácio da Alvorada, transmitida por um canal bolsonarista, enquanto o presidente e o grupo discutiam o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

O chefe do Executivo negou novamente que tenha interferido na elaboração da prova deste ano, mas disse que o próximo exame "vai ser nosso".

Se eu pudesse interferir não ia ser esse tipo de Enem que está aí, de jeito nenhum. Lembra dois anos atrás a questão da linguagem neutra dos gays? Não tenho nada contra, nem a favor. Cada um faz o que bem entender com seu corpo. Mas por que a linguagem neutra dos gays? Que que soma para gente numa redação? Agora, estimula a molecada se interessar por essa coisa Jair Bolsonaro

"Vai estragando a linguagem", completou um apoiador. O presidente, então, responde: "A linguagem é o de menos até, vai estragando a garotada.

Em 2018, o recém-eleito presidente, criticou uma pergunta que trazia pajubá como "dialeto secreto" entre gays e travestis.

A linguagem neutra, ou linguagem não binária, não é obrigação imposta por nenhum movimento da causa LGBTQI+, mas uma discussão que propõe uma modificação na língua portuguesa para incluir pessoas trans não binárias, intersexo e as que não se identificam com os gêneros feminino e masculino. A ideia é criar um gênero neutro para ser usado ao se referir a coletivos ou a alguém que não se encaixa no binarismo.

"Pessoal começa: 'bom dia a todos e todas'. Isso não existe. Vão falar que eu sou machista agora. O plural é todos (...) Objetivo é deixar o pessoal sem raciocinar aqui", continuou Bolsonaro.

Em novembro, quando estava em Dubai, às vésperas do Enem, o presidente disse que a prova começava a ter "a cara do governo". O comentário foi feito na esteira da demissão em massa de mais de 30 servidores no Ministério da Educação. As baixas ocorreram em meio a denúncias de censura no conteúdo da prova, algo que Bolsonaro negou em diversas ocasiões.

O jornal Folha de S.Paulo revelou que o presidente pediu para que houvesse questões que tratassem o golpe militar de 1964 como uma revolução. No entanto, desde o início do governo Bolsonaro, o período histórico não apareceu mais apareceu na prova.

Paulo Freire

Durante sua conversa com apoiadores, o mandatário voltou a atacar o educador Paulo Freire. "30 anos de Paulo Freire na vida aí?você não vê nenhum pais do mundo adotando os ensinamentos desse cara aí", criticou.

Paulo Freire é considerado Patrono da Educação Brasileira e é o brasileiro mais laureado com títulos de doutor honoris causa no mundo, com homenagens de ao menos 35 universidades, de diversos países.

O livro "Pedagogia do Oprimido", principal obra de Freire, é a terceira obra acadêmica mais citada em trabalhos de ciências humanas no mundo, segundo um estudo de 2016. Caso estivesse vivo, o educador teria 100 anos.

O pedagogo recifense desenvolveu programas de alfabetização em diversos territórios, incluindo países da África, como Moçambique e Guiné-Bissau, e da América Latina, dentre os quais Chile e Nicarágua.

* Com informações da reportagem de Marie Declercq, do TAB